#27| Como (e por que) fazer um mapa mental verdadeiro?
É claro que uso “verdadeiro” entre aspas porque é um adjetivo usado pelo próprio autor, mas realmente vejo sentido no método como ele propõe.
ANNEDOTA
Nem sei qual era o dia da semana, mas lembro que era uma manhã nublada qualquer1 da semana passada. Eu estava torcendo para o alimentador da caneta-tinteiro secar logo, pra encher o conversor e, finalmente, escrever as minhas três páginas matinais. Levantei da cadeira e levei a garrafa de vidro transparente pra encher na cozinha, mas olhei de relance para a mesa e noticiei um punhado de objetos transparentes dispersos; eram objetos que tenho usado com frequência, mas que não tinham muito em comum. Ou será que tinham?
Enquanto enchia a garrafa, fiquei pensando no modo como aqueles objetos poderiam fazer sentido juntos pra além da transparência. Quais arranjos eram menos óbvios e mais interessantes? Materiais? Funções? Origem? Então lembrei que a Isótica2, certa vez, me disse que eu era uma “rendeira de estrelas”, ou seja, que o meu estilo de escrita é marcado pelo gesto afrofuturista (Quiangala, 2020)3 de conectar elementos aparentemente desconectados. Mas afinal o que é a pesquisa em literatura, senão o exercício de pensar sobre o que parece transparente, o translúcido e o opaco, além de desnudar as diferentes conexões?
O que não é um mapa mental
Provavelmente você já viu muitos exemplos de mapas mentais na internet. Também é possível que tenha descoberto os mapas mentais no contexto escolar e se apaixonado por essa ferramenta de estudo bastante recomendada.
Na escola, quando pedimos que discentes confeccionem mapas mentais, geralmente encontramos uma palavra ou frase no centro da folha e setas ou linhas retas apontando para as ideias relacionadas. No intuito de priorizar a organização visual e caprichar na estética, muitas vezes, caímos no que aprendemos a partir do que uma corrente de pessoas considera correto, sem irmos à raiz dessa técnica.

Nas buscas rápidas pela internet, encontramos uma lista quase infinita de vídeos e textos explicando como fazer e quando aplicar, mas raramente as primeiras opções reconhecem a importância do livro Dominando a técnica dos mapas mentais, de Tony Buzan (2019). Alguns por falta de conhecimento e outros por desconsiderarem a importância de ler livros instrucionais ou de “desenvolvimento pessoal”. Sei bem disso: na maioria das vezes, nós avançamos na vida acadêmica e, junto a isso, também avança um certo juízo de valor que nem sempre percebemos. Acreditamos que algumas leituras valem o tempo investido, enquanto nas outras, você aprende a acreditar que não vale, “porque são vazias e inúteis”.
De fato, se nossa crença é direta ou indiretamente baseada na separação de corpo e alma, a nossa tendência é alimentar a alma com leituras “elevadas”, filosóficas, muito complexas e difíceis, enquanto ignoramos a necessidade básica de aprender a aprender e aprender a ensinar - daí vem uma percepção distorcida sobre o ensino e que perdura. A essa altura, você já sabe que discordo veementemente dessa abordagem e que, apesar de também ter um dia de vinte e quatro horas, acho importante o investimento em aprimorar habilidades de organização, escrita, ensino e aprendizagem.
Pois bem. E tudo isso pra dizer que, na década de 1960, o psicólogo Tony Buzan (2019) desenvolveu a técnica dos mapas mentais, que ele descreve assim:
Simplificando ao máximo, um mapa mental é um diagrama intrincado que imita a estrutura de um neurônio, com ramificações que saem do centro e evoluem por meio de padrões de associação […] é uma maneira eficiente e profundamente inspiradora de alimentar a nossa mente, espírito e intelecto (Buzan, 2019, Local 102)
Se o mapa mental deve imitar a estrutura orgânica de um neurônio, ele não é um fluxograma nem um mapa conceitual. Embora o fluxograma seja uma ferramenta interessante para compreender processos, com atenção à linearidade e ao ordenamento, a tendência ocasionada por esse objetivo é o uso de setas e das formas geométricas fechadas que traduzam visualmente o caminho de causa e consequência. Para experimentos e para trabalhar a ordem lógica, o fluxograma funciona muito bem, por isso, também é útil no meu processo de pensar no papel.
Já o mapa conceitual é uma ferramenta de memorização de ideias, por meio do encadeamento de tópicos, conceitos, obras e autores. Os termos são inseridos no interior de formas geométricas e conectados por meio de linhas retas. Nessas linhas, entre um conceito e outro é importante ter uma conexão, geralmente, uma preposição, verbo de ligação ou ideia que ajuda a definir a relação entre um termo e outro, como, por exemplo:
A) [o domínio de técnicas] - (de) - [estudo] - (é) - [produtivo em diferentes áreas da vida de pessoas neurodivergentes]
B) [mapa mental] — (é) — [uma técnica de processar ideias]
C) [Marx] — (explica que) — [radical] — (significa) — [buscar a raiz das coisas]
Nos três exemplos acima, utilizei uma forma horizontal, simplificada, para enfatizar a ideia de relação linear entre os termos. Em alguns momentos, o fluxograma e o mapa conceitual podem parecer que são a mesma coisa, mas vale observar que o primeiro tem formas relacionadas entre si, enquanto o segundo tem maior ênfase no imbrincamento dos conceitos em si.
Outra técnica útil para estudantes e docentes é a do sketchnote, ou seja, as notas ilustradas (Rohde, 2012). A partir da junção de desenhos esquemáticos (ícones) e palavras é possível organizar ideias completas de forma interessante e sintética.
Depois de compreender a diferença entre o fluxograma e o mapa conceitual, bem como aprender sobre o sketchnote, já dispomos de relativa autonomia para pensar nos usos de cada uma dessas ferramentas; qual tipo de problema cada uma delas ajuda a solucionar? Fundamentada a noção do que não é um mapa mental, já podemos nos perguntar: mas afinal, como fazer um mapa mental?
Como fazer um mapa mental verdadeiro
Conforme Tony Buzan (2019), a utilidade dos mapas mentais vai muito além do uso escolar: eles servem como recurso para organizar nossas emoções, planejar palestras, desenvolver ideias, encontrar soluções para problemas da vida, desenvolver projetos… e essa lista não tem fim.
O psicólogo explica em detalhes a origem e todas as questões ligadas ao funcionamento neurológico que justificam a relevância e as razões de cada elemento desse modelo, mas como o ponto da presente conversa é o modo de fazer, bora fazer.
Antes de começar a produzir um mapa mental “verdadeiro”, como denomina Buzan (2019), é importante o tema em mente, seja ele um texto que você leu, um artigo que deseja escrever ou um problema que parece não ter solução. Você tem um bocado de ideia sobre qualquer um desses temas centrais que escolher, e o processo ajudará a encontrar a conexão oculta ou mais profunda que a aparência das coisas.

Selecionado o tema, vamos aos materiais: uma folha retangular em sentido horizontal (deitada); cerca de cinco canetas, canetinhas ou lápis de cor coloridos (as cores podem se repetir, desde que os tons sejam diferentes; tenha atenção ao contraste também). A partir disso, damos início:
Etapa 1: com a folha na direção horizontal, escreva ou desenhe no centro o tema. Sei bem que muitas de nós, pessoas que escrevem, enfrentamos questões com desenho, mas lembre-se de duas coisas: a primeira é que a letra pode ser usada como imagem, se você trabalhar cor, textura e tipografia. A segunda é que símbolos e ícones são imagens simplificadas que transmitem ideias complexas e são acessíveis pra quem tem medo de desenhar.
Etapa 2: Escolha uma cor pra começar, no quadrante superior direito. Irradie uma ramificação grossa e curva do centro, de preferência, tocando a imagem central. Sobre essa ramificação, escreva com letra de forma grande um dos temas centrais. É recomendável irradiar já os cinco ou seis grandes temas (ou palavras-chave, se preferir), cada um de uma cor diferente, mas preencher no sentido horário (de cima pra baixo, da direita pra esquerda).
Etapa 3: Lembre-se de que estamos trabalhando conexões, caminhos de pensamento, portanto, é recomendável escrever sobre a ramificação de uma palavra-chave em letra de forma e sem deixar muito espaço antes ou depois. Nessa etapa, ramificamos mais e, quanto mais longe do centro, mais fina a subdivisão e menor o tamanho das letras que formam as palavras-chave.
Etapa 4: resista ao impulso de fazer linhas retas e de pular de um ramo para outro. Sei que é comum estar num ramo, trabalhando uma cor e lembrar de algo de outro tema, mas esgotar um ramo de cada vez contribui para melhorar a habilidade de foco.
Etapa 5: Desenhe ramificações secundárias e terciárias sem ficar pensando demais. Anote as ideias e tenha uma postura aberta para descobrir conexões que você não havia imaginado num primeiro momento.
Etapa 6: Terminadas as ramificações principais, secundárias, terciárias etc., vale a pena verificar se há ideias que se repetem ou que estão em diferentes ramos, mas se conectam e então, quem sabe, inserir símbolos e conectar as pontas distantes que possam fazer sentido juntas.
O método descrito por Buzan (2019) como mapa mental “verdadeiro” é uma técnica que possibilita exercitar a memória e a imaginação. Pode ser usada para verificar a aprendizagem, sintetizar leituras difíceis, planejar ações e identificar relações menos óbvias, como a questão dos objetos transparentes que motivaram a presente reflexão.
Lembre-se de que o sentido das coisas existe a partir do momento em que atribuímos significado às relações. Dessa forma, eventos aleatórios como o ovo de Páscoa na embalagem transparente que a Isótica e o companheiro me deram, pra além do brinde de Schrödinger4 (considerando a incerteza sobre qual é o objeto dentro do ovo), já estão conectados aos objetos sobre a mesa; entretanto, quando abri o ovo e me surpreendi com um chaveiro de dinossauro, me pareceu que costurar tudo isso é a forma espontánea e metalinguística de conversar sobre mapas mentais.
Do mapa mental ao artigo acadêmico

No campo da representação literária, muitas vezes, trabalhamos a noção de transparência e opacidade. Ou seja: aquela coisa toda sobre a literatura ser equivalente ao real convencionado (transparente) ou apresentar uma certa distância, distorção ou obstáculo em relação ao mundo “real”. Sabemos que literatura é a representação do real (a substituição da realidade vivida pela contada, mas ainda assim, trata-se de algo concreto), e isso confere um aspecto menos óbvio para a noção de realidade, como discuti no artigo A simbiose entre humano e não humano por meio da estética ecogótica pós-colonial de O colonizador, de G. G. Diniz (Quiangala, 2025a).
Como é possível defender que a protagonista é uma mulher Negra? Como desvelamos a mentalidade supremacista a partir da noção de colonialidade? O que isso tem a ver com o gótico?
Num primeiro momento, pensei em trabalhar essa novela na minha tese - inclusive, levei esse texto para a qualificação como um capítulo; eu tive a ideia de discutir o modo como as noções de monstruosidade aparecem na novela de Diniz (2020) e propor uma leitura da performance da protagonista como algo que a tornaria uma “heroína ambivalente” (Quiangala, 2025b). Mas havia muitas informações, dúvidas e conceitos pairando na minha mente, bloqueando a escrita, e a conjuração se perdeu nesse tempo (por isso a banca recomendou, com razão, retirar).
Bem antes de tudo isso, peguei um papel e as canetas Paper Mate Flair M coloridas para organizar as ideias, começando com o ramo vermelho, no qual inseri as informações básicas sobre a autora, incluindo as obras nas quais a questão ambiental se destaca a partir da experiência de horror. No próximo ramo, da cor laranja, trabalhei o conceito de ecogótico; observe que a ramificação laranja encontra a seguinte, marrom pelo termo “epistemologia”. Com esse esqueleto, comecei a estruturar o artigo, ciente de que aquelas palavras-chave ajudariam a montar a sequência de ideias.
Depois de escrever e de receber o feedback do que seria publicado como artigo, pude me dedicar à questão do real, explorada a partir de um intertexto (o filme Alien, o oitavo passageiro) e de dinâmicas sociais que reconhecemos no presente; embora a novela seja uma obra de ficção científica que se passe num futuro distante, existem violências as quais reconhecemos no presente com facilidade. Isso é tensionado na narrativa a partir de um trabalho complexo com a ideia de “colonizador” (o tema central do texto).
Bem, assim como usei esse mapa mental, simples e eficaz, para organizar as ideias do artigo, ele também serve como uma revisão de leitura. Sim, podemos fazer um caminho de construção e de revisão; podemos planejar, testar caminhos e soluções criativas para ideias que parecem muito bagunçadas. Vale lembrar também que os mapas mentais podem fazer parte do seu processo criativo, mas funcionam como “procrastinação produtiva”, porque impulsionam a ação, pode acreditar.
Espero que, depois dessa conversa, você considere pegar um papel e canetas coloridas para testar essa técnica. Se for o caso, eu adoraria ver! Fique à vontade pra me marcar em sua postagem: é @pretaenerd!
[SEMANA #27] ATUALIZAÇÃO SOBRE A PESQUISA
Essa semana, uma amiga pediu que eu fizesse um desenho organizando umas ideias para o ensaio que ela está escrevendo e fiquei muito contente em poder contribuir. Na verdade, eu já havia feito o modelo no papel e faltava fazer uma versão digital, melhor acabada! A versão de mim que adora desenhar ficou muito contente com essa “encomenda”! Também foquei nos fundamentos do rap como linguagem específica e em como tem sido usado na sala de aula da educação básica. Nesse processo, assisti a diversos vídeos do canal Escola de Flow, no Youtube, sobre flow e outros conceitos. Também “descobri” um passatempo divertido que é usar o metrônomo para identificar os BPMs de canções com as quais quero trabalhar. Sim, é uma informação já documentada, mas estudar ritmo e uns fundamentos da musicalidade desde o básico fazem parte de um movimento de avançar… o que me chamou a atenção pra algo óbvio e, por isso mesmo, pouco conversado: a ausência do corpo “de verdade” no modo de ensinar literatura. E pensar nas alternativas, ler, pensar, conversar com outras pessoas, ler, pensar. A didática do Afroragga, da Escola de Flow, me fez refletir bastante sobre essa temática; ele, como um excelente professor, demonstrou sua habilidade na transposição didática em cada vídeo, como se fazer rap fosse algo realmente acessível, sabe? No mínimo, ele é inspirador!
Próximos eventos
Domingo 26/04 estarei no Marte Hall, participando do painel O medo como alerta, que contará com Verena Cavalcante, Dane Taranha e mediação das Afrofuturas (Isa e Pétala). Esse painel faz parte da programação do FLIF (Festival de Literatura Fantástica).
Entre 16 e 18/07, coordenarei uma sessão temática juntamente à Dra. Hildália Fernandes no VI Seminário Pretas Acadêmicas. O título da ST é “Literatura especulativa de autoria feminina e Negra: entre fabulações e conjuramentos”. Submeta seu resumo entre 06/04 e 07/05.
O QUE ESTOU LENDO/ASSISTINDO/OUVINDO/JOGANDO
Lendo: artigos sobre letramento e rap.
Assistindo: Vários vídeos do canal Escola de Flow, no Youtube; Ladies First T1-Ep. 2-3 (Beachler; hampton, 2023) na Netflix.
Ouvindo: Scarlet (Doja Cat, 2023); Blood (La Havas, 2015).
¿CONJURADORA OU COCODRILO?
Crocodilo!!!🐊
“Sua pesquisa é sobre o quê?”, uma amiga perguntou outro dia. Sobre conjuradoras y cocodrilos, respondí. Pois é, e nisso, a @isotica me presenteou com a mascote crocodiliana dessa pesquisa (que chamamos de Doechii, personificando o processo, o stimming e o hiperfoco). Porém, nessa semana um aguardado feat chegou: o selo @crocodilo.edicoes também se juntou a nós, trazendo contribuições crocodilianas pra essa jornada de pós-doutorado! E começamos com duas leituras:
🐊 Pensamento negro radical (vários autores, 2023).
🐊Queer zones (Bourcier, 2022).
ERROS TAMBÉM NOS ENSINAM
Saiba que essa conversa só existe porque você também está aqui comigo. Então, se você também pira, erra, experimenta e se interessa por pensar em questões de pesquisa, artes, conjuração ou escrita acadêmica fora da sua cabeça, compartilhe suas dúvidas, angústias e notas para mantermos o diálogo dinâmico! Vai que isso te ajuda, me ajuda e nos eleva como comunidade? Se essa conversa fizer sentido, entre na conversa e considere também espalhar a palavra por aí com gente que também sente angústia ou morre de medo de escrever textos acadêmicos ou de fazer pesquisa! Ah, e se você gostou de algo em particular ou gostaria de sugerir um tema, ficarei contente em saber mais sobre isso! Sei que estou em falta com vocês, mas prometo responder os comentários! Não desista!
Obrigada pela leitura <3
Até mais!
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Onde mais me encontrar
Faço live na Twitch toda terça-feira com o André Severino (um bate-papo sobre literatura, sociologia, vida acadêmica e cultura pop) das 10h às 12h.
Textos públicos sobre cultura pop, numa perspectiva feminista e nerd, no Preta, Nerd & Burning Hell.
Conteúdo público uma vez ou outra, lá no Instagram.’
Aqui em Brasília, costumamos dizer que temos duas temporadas: a de seca (quando passamos por meses sem chover) e a de chuvas, que aí você imagine: tempestades, raios e trovões são eventos diários por alguns meses.
Minha amiga Isótica está fazendo aniversário hoje e, certamente, ela está lendo; então dedico essa edição à aniversariante dessa sexta! Parabéns, Isa, e obrigada por tudo! <3
Em 2020, a Tatiana Nascimento organizou uma caixa com livretos chamada Caixa Abebê, publicada pela editora n-1. O meu livreto integra essa caixa e se chama Acessar o afrofuturismo. Nele, falo sobre o pensamento da Angela Davis ter me sensibilizado para o afrofuturismo!
Sim, aquele cara do gato dentro da caixa (ou não). Mais informações aqui: Superinteressante (2011).






Como "pessoa visual", me interessei particularmente pelo tema a ponto de sair testando em todos os pensamentos que apareceram, revolvidos na terra úmida e fértil que chamo de consciência. Em outras palavras, tenho pensamento acelerado e fazer o mapa mental "verdadeiro" me fez desacelerar e, com prazer, curiosidade e criatividade, iniciar meus mergulhos (hiperfocos rs?) em temas diversos: George Orwell, autocrítica, desenho, pintura etc. Grata por compartilhar consoco, profa.
Ainda tenho que testar mapa mental "verdadeiro" ....