#19 | Como construir uma rotina acadêmica sustentável?
Imagina um Sísifo neurodivergente, subindo a montanha com a mochila, os livros e o planner e, lá em cima, jogando tudo no chão morro abaixo. Note que não precisa ser desse jeito!

ANNEDOTA
Pra mim, é sempre assustador quando as pessoas me dizem que sou uma pessoa organizada, e mais aterrador ainda é quando pedem conselhos com um olhar sério - afinal, tenho pra mim que não sou uma pessoa organizada. No final das contas, sei que eu tendo a ser organizada, porque hoje em dia estudo bastante sobre gestão de tempo, rotinas de outras pessoas e métodos de organização. E bem, depois de respirar e me atentar aos dados do real, reconheço que sim, eu sou uma pessoa organizada. Toda vez é isso.
O horror inicial vem porque me lembro nitidamente das broncas que recebia de noite por sempre esquecer de olhar a agenda, organizar o material, separar o uniforme e conferir os livros no dia anterior. E isso era notado porque a professora “volta e meia” mandava bilhetes reclamando que eu sempre levava os livros errados. Realmente, quando eu era conduzida ao hábito de me preparar na véspera, a manhã do dia seguinte era mais suave. Mas eu simplesmente não me lembrava disso por mim mesma — nem do Tamagotchi1, que só vivia pra morrer.
De fato, as únicas duas coisas que tinham a minha total atenção naquela época eram o barulho do rádio-relógio gritando aqueles números vermelhos e a vontade de jogar o videogame. É verdade que, além de fazer as tarefas da escola à tarde, eu também tinha uma rotina supervisionada de escrever redação, de leitura e de estudos que eu achava tediosa e sem sentido - porque não nasci preferindo ficar presa em casa, enquanto todo mundo brincava na rua.
Essa rotina, entretanto, me ajudou bastante a treinar o foco e a ver sentido em aprender coisas2. Nem tudo vinha fácil, mas sempre havia um caminho nas margens que me satisfazia: material dourado3, quadrinhos, folclore, astronomia, super-heróis e dinossauros. Então, uma vez que a minha tarde era “comprometida” pelo estudo obrigatório — “afinal, quando estivesse no terceiro ano, teria que saber estudar e ter foco” — para compensar, eu acordava antes do despertador, na ponta dos pés, ligava a TV sem som, o Super Nintendo fazia “plak” e jogava um pouco.
Apesar de ser a circunstância de uma pessoa na primeira metade do ensino fundamental, essa lembrança evidencia a importância de uma rotina bem estruturada, com horário pra tudo e viver de forma equilibrada. Afora que essa constrição me ensinou a tornar o “chato” divertido: escrever redação no lado direito do caderno sempre trazia como prêmio a possibilidade de desenhar no lado esquerdo. E por que não, escrever sobre rally?Ééé... Temos um hiperfoco persistente.
Disciplina é liberdade
Nossa imagem de uma pessoa inteligente é como uma gaiola minúscula, onde não cabe quase ninguém. Cada vez mais, vivemos num contexto de muita confusão entre personalidade e fabricação da personalidade através da exposição e transformação de si em algo escolhido, não o resultado do contraste com o mundo (Waldun, 2025a). Você é o que faz? Por que você faz o que faz? Você faz mesmo o que diz que faz? Você é o que você mostra? E por quê?
Depois de assistir ao vídeo-ensaio de Robin Waldun (2025a), intitulado Reading books is not a personality [Ler livros não é uma personalidade], fiz a mim mesma essas perguntas todas e pensei sobre alguns temas: influenciadores da booksfera que não leem, “pesquisadores caricaturais” (Waldun, 2025a) e performance de inteligência como sinônimo de boêmia e/ou excentricidade.
Se temos o objetivo de “ser” em vez de “parecer” (quando o termo “autenticidade” foi sequestrado pelas marcas), nosso foco será na leitura como experiência prazerosa, agradável e não aquela coisa intragável que se evita, como Waldun (2025b) defende em The subtle habit that makes you a better reader [um simples hábito que te torna uma leitora melhor]. Pra ele, a busca incessante por extrair conhecimento torna a leitura vazia de significado intrínseco. Então, se gostarmos de ler (verbo) em vez de focar no substantivo, seremos leitoras melhores. E se, por fim, focarmos em buscar o prazer da leitura, possivelmente ela se tornará tão trivial e invisível que leremos a qualquer momento do dia, intervalos e não teremos tempo (ou daremos importância) para o “parecer ser leitora” ou inteligente ou intelectual.
Claro, o intervalo de tempo que as disciplinas, editoras ou os editais oferecem é sempre o oposto do necessário para engajarmos numa leitura prazeirosa, então nós podemos fazer parte da máquia de indicar livros, falar de livros sem ler ou podemos dar outro tipo de sentido à nossa relação com a leitura. Deixar um pouco de lado as edições de luxo, os finais explicados e o consumo pelo consumo que sustentam a “personalidade de leitora” são alguns caminhos. O mesmo vale pra nossa imagem antiquada de intelectual como aquela pessoa com bolsa de couro, descompromisso com a saúde e desconexão com o mundo e as pessoas.
Então voltamos aos porquês. Aquelas perguntas são um ponto de partida importante, porque a rotina não precisa ser apenas uma apresentação para o outro (na internet) ou o caminho rumo ao mérito que não existe por si só no mundo governado pelo capital, diferenças de oportunidades, habilitações4 e de poder. Ou seja, a construção da rotina repetitiva com o objetivo de educar o corpo para a produtividade e para performar a norma (Louro, 2007) é uma armadilha que mina a vida de prazer e de diversão. Esse modo carece de consciência crítica e torna o sujeito o seu próprio algoz.

Porém, nós que buscamos a liberdade - equidade e respeito às diferenças (Ervin, 2015) - precisamos nos atentar mais a sério a esse tópico. Pessoas em profunda desvantagem social (racializadas, neurodivergentes, LGBTQIAPN+, trabalhadoras etc.) já pagam uma alta taxa pra existir no mundo, então não precisam de uma rotina exaustiva e desagradável que nos prive ainda mais.
Então sim, escolher a razão de estabelecer uma rotina é central. Nem sempre podemos escolher como aproveitar cada hora do nosso dia, mas compreender que “mente e corpo” não são opostos já contribui para desenharmos uma rotina intelectual que esteja ao redor da vida, não o contrário. Apesar de sermos ainda muito impactadas por representações oitocentistas5 dos intelectuais com rotinas desregradas, ressaca e morte precoce como “preço” a ser pago pela “genialidade”, nós nem somos como eles e nem precisamos ser caricaturas autodestrutivas daquelas figuras atormentadas.
Bom, apesar de parecer monótono, dar um contorno pra vida torna mais fácil engajar nas tarefas “chatas” e manter a constância, seja no que for. Com o tempo, as habilidades intelectuais vão sendo aprimoradas, mas estaremos com a casa limpa, com a alimentação mais balanceada, “no mundo” e em contato com as pessoas o suficiente pra não termos leituras limitadas da teoria.
E viver de forma disciplinada não tem nada a ver com os “estóicos contemporâneos”. Na verdade, é uma perspectiva que nos possibilita conhecer nossos horários de maior criatividade, foco e energia (Knapp; Zeratsky, 2019) e fazer melhores escolhas. Se você se conhece e sabe que seu pico de energia e foco é pela manhã, pra que vai se forçar a escrever de madrugada? Se a tarde não tem energia, pra que assistir a filme europeu? E por aí vai. Quanto mais você conhece as suas razões para organizar a rotina, maior a chance de flexibilizar e encontrar espaços livres de forma intencional.

Um dia perfeito
Depois de refletir sobre o porquê de ter uma vida acadêmica (ou de leitura) offline, podemos pensar numa rotina ideal. Claro, isso não significa que estar na internet seja um problema (longe de mim, atirar no meu pé), mas sim que existe ou deve existir um excedente da rotina pra além da minutagem, enquadramento, arranjos e filtros. Sem moralismo, Waldun (2025a) chama a atenção para os nossos hábitos de leitura incluírem a foto, a bebida, equipamentos e outros detalhes estéticos extrínsecos à leitura em si. A leitura como estilo de vida, por vezes, oblitera o que é importante. Também vale se perguntar: sou leitora porque leio ou por que mostro que leio? Quem eu sou além de alguém que lê?
Assim que saí do doutorado, totalmente focada, exaurida e com os músculos enfraquecidos pelo sedentarismo, eu tive bastante dificuldade em voltar às prioridades do cotidiano, porque estava vivendo em volta da vida acadêmica. Não vejo como um problema porque o doutorado tinha um prazo pra acabar; em algum momento eu deveria voltar a me preocupar com as demandas da vida, como por exemplo, me dedicar a um hobby, à saúde e às relações. A vida fica em suspensão às vezes, mas tornar a suspensão o núcleo da vida vai minando o sentido de tudo, inclusive da pesquisa que se relaciona com um problema do mundo.
Então, ter um modelo de dia ideal com o entendimento de que a vida é dinâmica e as demandas flutuam é importante. Pra isso, vale a pena se perguntar qual o seu contexto atual, desde a sua estação de trabalho (conta aqui a ergonomia) até o local de trabalho em si. Não adianta definir uma rotina que seu corpo físico e mental não suporta, como horas a fio lendo sem pausa para refeições, banho e alogamento.
Existem diferentes modos de organizar a rotina do dia e da semana, e tudo depende do que você tem como prioridade. Para pessoas neurodivergentes, uma rotina regida pelo nível de energia pode ser útil para evitar a cobrança excessiva e a comparação (Pereira, 2023). Gerenciar a energia e definir as tarefas diárias a partir disso nos ajuda a definir se focaremos em tarefas que demandam mais esforço mental ou não.
Outro modo de construir uma rotina é aderir a modelos de agenda ou planner que já apresentam os dias da semana e, muitas vezes, espaço pra medir o tanto de água ingerida e as tarefas principais de cada dia. Para neurodivergentes, o método bullet journal (Carrol, 2018) tende a ser útil, porque integra as áreas da vida e possibilita o rastreamento de hábitos.
Para quem prefere formas digitais de organização, recomendo fortemente o uso do Google Agenda, se possível, conectado à Alexa, ao smartwatch ou à pulseira inteligente. Dessa forma, você consegue integrar lembretes, datas de compromissos ou mesmo criar uma rotina que seja lembrada pelo dispositivo e ajude em seu dia comum. Se você prefere usar aplicativos de celular, recomendo o HabitNow - rotinas e hábitos (Android). É possível registrar nele tarefas diárias, definir a repetição, inserir subtarefas, modos de medir e acessar os gráficos de assiduidade de cada hábito.
Mas pra além das ferramentas e métodos, a criação de uma rotina sustentável envolve a definição do que é importante pra sua vida como um todo. Já no aspecto acadêmico, não vale a pena confiar apenas no talento e na inspiração (Butler, 2020), porque os resultados são totalmente imprevisíveis e tendem a demandar momentos de estudo aflitivos. Momentos esses que tendem a nos afastar do objetivo central.
Também vale considerar que a rotina acadêmica varia conforme o momento em que estamos. Na graduação precisamos cursar diversas disciplinas ao mesmo tempo, enquanto no pós-doutorado não há disciplina alguma. Então sua rotina pode ser definida pela grade do curso ou pelos movimentos da pesquisa. Dadas as devidas proporções, vale lembrar que as tarefas acadêmicas são inúmeras, desde o ensino (aulas, planejamento), extensão, pesquisa (investigação, eventos, publicações, divulgação científica), burocracia (reuniões, documentos), avaliação (bancas, pareceres) e diálogos (orientação), para citar alguns. Então, mesmo tendo suprimido da lista a leitura e a escrita, é certo que não podemos fazer tudo no mesmo dia.
O que seria um dia ideal dentro de tantas atribuições? E como dar conta de tudo sem chegar a um burnout? Acredito que criar uma rotina acadêmica articulada com a vida como um todo possibilita que treinemos as habilidades intelectuais, possamos amadurecer como sujeitos e conhecer o mundo (e seus problemas) na prática. Isso contribui para uma melhor forma de viver e de pesquisar. Inclusive uma forma comprometida consigo e com as demais pessoas próximas, as reais e as hipotéticas.

Hoje não dá
O comportamento cotidiano como pesquisadoras deste século deve responder a algumas perguntas: é possível escrever todos os dias? O que é escrever? Por um lado, rotina é o treino de habilidades, por outro, ela não deve ser mais uma gaiola.
A escritora Cathy Mazak (2022) explica que, para pessoas que possuem identidades marginalizadas, escrever todos os dias é uma tarefa que beira o impossível. Há tarefas de cuidado e demandas de organização do espaço e da própria vida que dificultam bastante a meta de escrita diária. Ela recomenda, portanto, que encontremos o tempo adequado na nossa agenda, quando tivermos o maior nível de energia e foco para não precisarmos de tantas horas para completar a tarefa. Nesse sentido, encontrar essa hora e esse dia da semana nos leva a bloquear esse tempo e proteger ao máximo.
Mas bem, aquela ideia estrita de sentar no computador e digitar pode ser complexificada. Segundo a cientista social Michelle R. Boyd (2022), nós devemos entender “escrita” como um conjunto de “tarefas de escrita”. Revisão de literatura, ler, fichar, definir os argumentos, estruturar e esboçar o texto são todas elas tarefas que demonstram que estamos “trabalhando” nele. E ela vai além, cada pensamento que temos e as reflexões em momentos diversos, que contribuem com o texto, deveriam ser quantificados como tarefas de escrita.
Particularmente, gosto de como Mazak (2022) sugere que tenhamos uma rotina estruturada, mas orientada para o fluxo de ideias que atravessam os exemplos de nossas aulas, os artigos e as palestras. Dessa forma, “em vez de restringir a liberdade, a rotina cria liberdade, pois nos protege da instabilidade da vida e ajuda a proveitar o tempo, a energia e o talento limitados. Uma rotina estabelece bons hábitos que levam ao melhor trabalho” (Kleon, 2020, p. 25).
Nem sempre precisamos dizer “não”ou nos fechar em rotinas tortuosas e torturantes para seguir na vida acadêmica. Faz parte de viver sendo uma pesquisadora jogar um jogo de tabuleiro, tomar um café e conversar com amigas sobre as ideias, escrever junto, beber água, receber e oferecer feedbacks. Além disso, pesquisadoras deste século também habitam um “corpo” que precisa de ergonomia, hidratação, higiene, descanso e cuidado, tudo a seu tempo (Eclesiastes 3 - 1:8).
Se você confia demais no talento, deve lembrar que mesmo o Naruto precisou treinar, aderir ao método e aprender com um mestre numa base diária. Ele só se difere do assíduo Rock Lee no tocante à variável talento, mas fora do anime a constância tende a suplantar o talento (Butler, 2020). Inclusive porque o talento não desenvolvido leva à insegurança, equívocos e, claro, performances de inteligência.
Acredito que espontaneidade é um caminho legítimo, mas no mundo capitalista, a maioria de nós não tem “todo o tempo do mundo” (Russo; Rocha, 1985). Então, revisitar a memória infantil que me fez ser uma Rock Lee no caminho de aprender a ser mais organizada tem a marca das restrições, da mentalidade romântica e, claro, de uma identidade relacionada à leitura. Mas o grande salto da vida adulta é termos a coragem de desapegar do que deveríamos ou simplesmente queremos ser.
[SEMANA #19] ATUALIZAÇÃO SOBRE A PESQUISA
Essa semana eu finalmente terminei de ler o How to take smart notes (Ahrens, 2017). Uma das coisas que o método de estudos descrito por ele objetiva é manter um fluxo de trabalho não-linear que envolva leitura, escrita e fichamentos. Dentre as sugestões que incorporei, foi me atentar mais conscientemente a definir uma rotina sem atritos, seguir a vontade e trabalhar em diferentes projetos ao mesmo tempo. Sim, algumas dessas coisas eu já fazia, mas desde o fim do doutorado eu passei a ter demandas diferentes, especialmente porque no pós-doutorado não há orientador e nem um conjunto de checkpoints específicos, como nas etapas anteriores; a partir dessa autonomia, passei a repensar a minha rotina, para ser produtiva, viver melhor e parar de correr tanto. Inclusive, o vídeo-ensaio Reading Books is not a personality (Waldun, 2025) contribuiu pra uma reflexão mais ampla sobre isso. Há algum tempo, venho esvaziando a minha rotina de tempo em tela, excesso de consumo e por tudo ao redor da “vida acadêmica”.
O QUE ESTOU LENDO/ASSISTINDO/OUVINDO/JOGANDO
Lendo: Raybearer - o dom do raio (Ifueko, 2024).
assistindo: vídeos do Robin Waldun no YouTube sobre leitura e escrita.
Ouvindo: Megadeth (Megadeth, 2026) e Krushers of the World (Kreator, 2026), por sugestão do querido amigo Luciano Jorge.
jogando: Forza Horizon 3 (Playground Games, 2016).
¿CONJURADORA OU COCODRILO?
Crocodilo!
Essa semana, Gabi me mostrou a maravilhosa Lacoste X Bialetti moka. Embora tenha toda a questão de marca, consumo etc., podemos admitir que o utensílio concentra muito do que há de bom: café espresso e jacaré! Talvez, o mais divertido dessa cafeteira italiana seja o fato de a minha pesquisa ter norteado o meu olhar e o das pessoas próximas para uma atenção especial para crocodilianos no cotidiano. Eu sinceramente não havia pensado na moda de golfe até agora!ERROS TAMBÉM NOS ENSINAM
Saiba que essa conversa só existe porque você também está aqui comigo. Então, se você também pira, erra, experimenta e se interessa por pensar em questões de pesquisa, artes, conjuração ou escrita acadêmica fora da sua cabeça, compartilhe suas dúvidas, angústias e notas para mantermos o diálogo dinâmico! Vai que isso te ajuda, me ajuda e nos eleva como comunidade? Se essa conversa fizer sentido, entre na conversa e considere também espalhar a palavra por aí com gente que também sente angústia ou morre de medo de escrever textos acadêmicos ou de fazer pesquisa! Ah, e se você gostou de algo em particular ou gostaria de sugerir um tema, ficarei contente em saber mais sobre isso!
Obrigada pela leitura.
Até mais!
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Era um “bicho” virtual lançado em 1996 pela Bandai. A premissa do objeto era simples: cuidar de um animal, atenta às suas necessidades e ao seu desenvolvimento, desde que “saía” do ovo. Eu adorava, mas volta e meia que ia brincar na rua, dava de cara na volta com um túmulo na telinha.
Curiosamente, lembro dessa rotina da primeira série com riqueza de detalhes, desde acordar olhando os pôsteres com a matéria na parede pra memorizar (na minha cabeça, números pares são vermelhos e ímpares azuis), até escolher o gibi que leria até pegar no sono.
É um tipo de jogo usado pra aprender matemática nas séries iniciais. Aquelas figuras geométricas usadas para identificar unidade, dezena e centena e efetuar operações básicas.
Uso “habilitação” como referência ao “corpo temporariamente hábil”. Nos estudos da deficiência, uma ideia-chave é a noção de que “saúde” é um termo fabricado para criar e reforçar a diferença entre corpos de pessoas com e sem deficiência. Um corpo entendido como “saudável” tende a envelhecer, ter situações ocasionais de “ausência de saúde”, o que torna o conceito de saúde nada absoluto. Fora que a habilitação pode ser configurada pelo contexto por meio de adaptações ou melhor, de pensar o acesso do maior número de pessoas ANTES de tudo.
A suposta genialidade dos românticos do século XIX ainda para sobre todas nós.





Adorei seu texto! Ainda tenho muita dificuldade em seguir uma rotina com constância... mas tô tentando aos poucos. Fiquei curiosa para ler, algum dia, alguns dos livros que você citou!